“É TANTA PREOCUPAÇÃO” E SUA GRÁFICA, AINDA TEM LUGAR NA SUA CABEÇA?

em quarta-feira, 6 de junho, 2018

Thomaz Caspary*

Vamos refletir um pouco, encontrando soluções para tirar a sua gráfica do buraco.

Mesmo com a falta de ânimo em função dos acontecimentos recentes, temos que cuidar em primeiro lugar do orçamento do nosso negócio. O “Budget” continua sendo um desafio para os empreendedores gráficos brasileiros. A própria escola não ensina como fazer um controle financeiro básico, ou seja, gastar menos do que se ganha. Em uma empresa, é ainda mais difícil do que na situação pessoal: um negócio envolve capital de giro, datas de pagamento e de recebimento e salários de funcionários, por exemplo.

A gente não aprendeu o bê-á-bá das finanças e o empresário gráfico, principalmente das pequenas empresas (mais de 90% das gráficas brasileiras) simplesmente traz sua falta de conhecimento para a vida da empresa. Muitos negócios não possuem recursos para contratar alguém especializado, e abrem mão de uma das funções mais importantes dentro de uma empresa – a de saber se tenho lucro ou não.

Você quer arrumar a sua empresa imediatamente? Ouça o que o consultor sugere:

1. Defina primeiramente, como está a situação da sua gráfica hoje

O primeiro passo para sair do vermelho é entender como está sua situação. Sabendo onde você está, é possível estabelecer onde você quer chegar. “Muitos gráficos ficam esperando o momento certo para aclarar o que está acontecendo na empresa, empurrando com a barriga esse controle financeiro. Pare e veja tudo que você já contraiu de dívida. Feito isso, veja se você consegue estabelecer uma estratégia para sair do buraco.

2. Renegocie suas dívidas

Agora que você já sabe quais são suas dívidas, é hora de partir para a negociação. Com uma simples conversa, é possível estender o prazo de pagamento ou abaixar o valor diante de uma entrada imediata, por exemplo. Fornecedores costumam ser mais compreensivos do que os bancos e o governo nesse sentido. Em uma situação de crise financeira, o empreendedor não pode se acanhar em pedir mais tempo para obter recursos.

A recomendação sugere priorizar suas piores dívidas na hora de fazer pagamentos, ou seja, aquelas em que incidem juros altos. Esse também seria o momento de calcular se vale a pena, tomarmos um empréstimo com juros menores para pagar essa dívida de juros altíssimos.

3. Analise com prudência, onde cortar despesas

O próximo passo é olhar com calma todos os custos fixos que sua empresa possui – como o aluguel, a internet e o contador da empresa. Nesse caso, a solução é tentar renegociar os contratos, mesmo nas áreas de produção, terceirizando determinadas operações.

Muitas vezes, o empreendedor escolhe o fornecedor mais conveniente, sem pesquisar muito. Sem comparação, há apenas um orçamento e ele pode perder com isso. Dependendo da importância do serviço, devem ser feitas ao mínimo 3 cotações com fornecedores de mesmo nível técnico. Os custos variáveis já costumam ser diminuídos também com a queda das vendas, como os gastos com matéria-prima, por exemplo. Alertamos, no entanto, para não cortar investimentos que tragam resultados.

Muitos empresários, principalmente das gráficas pequenas, vão cortando investimentos e acabam minguando ainda mais a empresa, o que gera ainda menos receita. Sou da opinião de não cortar nenhum recurso que esteja dando resultado – por exemplo, uma propaganda bem-sucedida ou um incentivo aos funcionários que traga mais produtividade. No caso deste último (incentivo à produtividade) você acaba cortando a principal motivação do seu funcionário. Observe que este tipo de programa deve ser muito bem estudado e principalmente acompanhado, publicando-se mensalmente os resultados.

4. Sempre separe seus gastos pessoais daqueles da empresa

Esse é um erro que muitos empresários ainda cometem: quando as contas de casa apertam, as reservas do negócio são esvaziadas para pagar essas dívidas pessoais. Porém, ao retirar esses valores, da sua própria empresa, você está prejudicando as possibilidades de ganhar mais e sair do vermelho. Se o empresário tem problemas nas finanças pessoais, ele deve cortar custos, como qualquer brasileiro, e não repassar seu prejuízo para a empresa.

5. Coloque uma “lupa”, todos os dias, no seu fluxo de caixa

Você sabe o que é um fluxo de caixa? Pois deveria: ele é uma foto de como seu negócio está de saúde financeira, e deve ser acompanhado todos os dias.

O FLUXO DE CAIXA é uma tabela que apresenta uma somatória dos seus ganhos e gastos em um certo período de tempo. Quando você usa seu fluxo de caixa e registra o que tem a pagar, você antecipa períodos de dificuldade, podendo negociar prazos de pagamento com seus fornecedores e clientes. Essa é a “bola de cristal do empreendedor”, registrando uma despesa que deverá ser quitada daqui a dois meses, por exemplo, você já antecipa um saldo negativo no futuro. Assim, já pensa em estratégias para cobrir o gasto e não cair em dívidas.

6. Tenha um sistema de gestão por mais simples que seja

Parece complicado olhar para tudo isso? Controlar custos, vendas, produção e produtividade, além de outras dezenas de itens da sua empresa permite que você tenha documentadas partes importantes do negócio, sem o trabalho braçal de completar um papel ou uma tabela do Excel. Essa é uma opção especialmente para os negócios maiores, onde o trabalho de computação é ainda maior.

Seja por um sistema ou por uma solução mais simples, ter tudo registrado vale a pena. Quando esse cadastro não existe, é muito difícil ver a situação real da sua gráfica. O gestor não consegue ver qual o tamanho do seu lucro ou do seu prejuízo. Sem isso, não tem como desenvolver qualquer plano de ação.

Como vimos no primeiro item, esse é um problema grave. Registrar tudo é uma garantia que você não desconhecerá suas finanças novamente em um futuro próximo.

7. Faça parcerias estratégicas

O ditado “a união faz a força” é uma verdade quando se trata de formar alianças estratégicas para épocas de vacas magras. Recomendo negociar com empresas que ofereçam um serviço complementar ao seu, elaborando pacotes mais completos ao cliente por um custo menor, ou seja, terceirização.

Outro ponto importante é ter contato contínuo com seus colegas, seja associando-se a um sindicato patronal da classe, ou mesmo às associações brasileiras de seu mercado, como por exemplo (Abigraf, Andigraf, ABIEA, Giro, etc.).

Fica aqui ainda a sugestão de se aliar a um Consultor ou Coach que em trabalho via WEB ou se necessário, presencial, poderá alavancar sua empresa em direção a resultados positivos, com maior velocidade.

Empreender é um desafio diário. Porém, para quem ainda está dando os primeiros passos na reconstrução ou criação de um negócio próprio, há ainda mais uma dificuldade: a falta de experiência. Aprender com quem já passou pelo que você ainda irá passar é fundamental para evitar erros de principiante. Por esta razão aconselhamos a você que releia o capítulo que trata de Parcerias Estratégicas.

*Thomaz Caspary é Engenheiro Gráfico, Consultor de empresas e Coach, atendendo na Printconsult Ltda. – tcaspary@uol.com.bt – www.printconsult.com.br – Tel.: (11) 3167-6939 e (11) 99105-2776.